"A
Velhiçe e as Rosas"
Sobre uma mesa de centro, numa caixa
de cartão, havia umas rosas que estavam a murchar.
A cada minuto que passava murchavam cada vez mais
-Como a vida, senhora
Ana? Apontando para as flores, perguntámos!
-Exacto, como a vida.
-Um mal sem remédio, senhora Aslan?
-Sem remédio? O remédio é o Gerovital.
Muito bem o "comercial", senhora Ana, mas,
no fundo também é uma boa filosofia. Porque a morte, á parte de que é um problema
inevitavelmente real, tambem é um problema psiquico, uma ideia pela qual não devemos
sentir terror. As pessoas de idade que passam pela clinica da Aslan em Bucareste, não
crêem que vão morrer.
O doutor Jacques Mousseau foi á Roménia para ver o
que se passava na Clinica.
No dia da entrevista, a professora Aslan entrou
acompanhada de um homem com uma barba branca e larga. Mosseau conta que a professora Aslan
avançou para este idoso; este dobrou-se e beijou-lhe a mão, muito gentil.
-Quantos anos crê você que tem este homem?
Perguntou a professora Aslan a Mosseau.
-Oitenta anos, talvez, oitenta e cinco.
Ana Aslan sorriu. E o idoso sorriu, por sua vez
adiantou
-Tenho trinta anos mais, doutor Mousseau.
É Paresh Margossian, e efectivamente tem hoje 116
anos de idade. "È o nosso patriárca, contou a Professora Aslan, e tem uma linda
história, que a poderia contar ele mesmo porque disfruta duma boa memória. Ele foi
estivador, e fala vários idiomas e dialectos Europeus.
Está aqui á alguns anos, mais de dez, quando veio,
disse a Professora Aslan, estava acabado. Não gostava de sair do seu quarto e pesava 45
quilos".
-Agora peso 70 quilos, diz o idoso, Margossian
explica que todos os dias vai dar um passeio pela cidade.
Mas, a cientista Romena disse uma coisa muito
esquisita enquanto o doutor Mousseau observáva o homem:" Mais importante do que o
aspecto fisíco, este idoso pensa na vida, não na morte. Portanto eu diria que este homem
de 116 anos tem uma velhice normal".
-Tudo se reduz então em não pensar na
morte, senhora Aslan?
-A explicação não se pode dar em poucas palavras.
Mas existe uma verdade: Ninguém morre de morte natural.
O maior inimigo do homem é a doença, que pode
começar em qualquer momento sem dar sinal.
-O que é que começa por morrer primeiro?
-Orgânicamente tudo. Depois dos vinte anos tudo vai
declinando. A morte pode começar pelos olhos, logo a seguir pelo coração.
-Então a morte é o maior inimigo do homem?
-Não, continuo a dizer que é a "doença".
A origem da morte tem que se ver na Biologia, não no calendário.
Mousseau tem escrito durante muito tempo que a
célula igual á molécula, pareceu ser o rádio supremo do infinito pequeno. Logo este
sabedor pressentiu que devia buscar dentro dos córpusculos infinitos os segredos e as
explicações que negavam no exterior. A célula tem uma vida íntima que condiciona as
outras vidas. O Bíologo moderno tem-se baseado nestes micrócosmos. A célula chamou a
atenção aos Gerontologos. Já Vernoff pensou em provocar ás celulas sexuais mais
jovens. Paul Diehans estimula os órgãos lesionados mediante o enxerto de células
saudáveis provenientes do órgão correspondente a um feto animal. A professora Aslan actua
directamente com uma substância inorgânica particularmente atractiva para os fenónemos
orgânicos. Isso se chama Gerovital e permite compreender que pode reparar os estragos
devido ao envelhecimento onde se põe de manifesto.
-Estimula uma função ou um órgão?
-Não, diria Ana Aslan- estimula a célula, elementos
do órgão que rege a função. O medicamento que se infiltra até ao centro da vida tem
por base a Procaina.
Ana Aslan graduou-se como médica e especializou-se
em Cardiologia. Mas o organismo em geral sempre a fascinou demasiado e fez com que depois
da especialização passou a Medicina geral. Na clínica que dirige, fazia experiências
com a Procaina, para o tratamento do reumatismo.
Obteve uma dose que aliviava a dôr, mas mais ainda
notou certas particularidades.
Quando o tratamento se administrava em idosos, estes
mudavam até de temperamento. A pele, cujas células morrem para provocar o terror do
homen: as rugas, nos idosos estas começam a regenerar-se.
-Foi então um produto da casualidade do seu
descobrimento, senhora Aslan?
-Em parte sim, em parte não. O processo é
cientifico, e o que aconteceu foi que não me apercebi do que estava ocorrendo. Então
dediquei-me com todas as minhas energias á investigação dos efeitos da Procaina.
A Novocaína faz desaparecer as dores, o
Gerovital que faz?
O mesmo Professor Mosseau explica que aquela é uma
solução de cloridrato de Procaina a 2 por cento de potencialidade, combinado e
estabilizado mediante o procedimento especial da Professora Aslan. " O produto
contêm , ademais, Ácido Benzoico e microelementos tais como metais alcalinos e enxofre,
se bem que os constituintes do medicamento foram tornados públicos, o método de
fabricação segue sendo um segredo".
Porquê o segredo, senhora Aslan?
Na sua suite do Hotel Crillón, a científica Romena
desde que chegou á capital, tem sido admirada pelos homens, mas mais ainda pelas
mulheres, sorri com um leve gesto facial e com uns olhos que vêem por detrás dumas
lentes, que por sí se vêem modestos. A dama do dia não quer de maneira alguma revelar o
seu " Segredo da Vida", e prefere falar dos seus imitadores, da imensa
quantidade de produtos que dado ao seu descobrimento têem saído no mercado.
Ana Aslan tinha declarado que ela, e os que a
acompanham nas suas investigações estão na capacidade de afirmar que o envelhecimento
é essencialmente uma perturbação do metabolismo celular, as células se empobrecem por
falta de assimilação e se asfixiam por falta de eliminação." A velhice é um
desiquilibrio das funções".
A velhice necessita um protesto. Porque qualquer
órgão que falhe, a partir duma certa idade, em muitos casos é o primeiro passo para a
morte. Falando em termos maritimos, podemos dizer que somos um barco, por qualquer
ranhura, ou qualquer pretexto começamos a "meter água"
"As Nossas vidas,
São rios,
Que ao mar,
Vão Parar
"
Os Cientistas afirmam que todas as
células do corpo humano, absolutamente todas, se renovam, mas as células nervosas que se
podem considerar as mais importantes, não se renovam. Não se sabe ao certo porquê, mas
é a realidade, é algo irreversivel.
-Então o Stress, senhora Aslan?
-Exacto o Stress é o maior inimigo do homem moderno.
Os animais chateiam-se, têem os seus altos e baixos,
querem-se expressar de alguma maneira, dão coices, mordem, choram, ladram, atiram-se para
o chão, etc
Os homens vão á rua carregados de adrenalina,
querem pôr uma bomba no banco porque o gerente do banco negou o empréstimo, querem bater
ao taxista por não parar na passadeira, a sua mulher, os seus filhos, o seu marido, o
amante, o barulho dos aviões, o homem, coitado do homem, não sabe como expressar-se,
como libertar-se, como lutar contra a morte, como lutar o stress para salvar-se da morte.
Isso é o que mata. Nesta sociedade cheia de
prejudiciais condicionamentos, é impossivel que o homem possa desafogar humanamente como
deveria ser. Nós morremos por dentro, morremos por dia, e a todo o momento.
Entrevista feita em Espanha, 1986 |