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Prof. Dra. Ana Aslan

|Entrevista

Ana Aslan nasceu na Roménia. Na sua juventude tentou ser pianista, mas finalmente, dedicou-se ás Ciencias.

Foi directora do Instituto Nacional de Geriatria e Gerontologia de Bucareste na Roménia, onde se inclinou para a investigação do fenómeno da velhice.

Participou em muitas conferencias sobre a chamada terceira idade e foi honorada por muitas Universidades e paises á causa da sua contribuição a decifrar esta etapa da vida.

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"A Velhiçe e as Rosas"

Sobre uma mesa de centro, numa caixa de cartão, havia umas rosas que estavam a murchar.
A cada minuto que passava murchavam cada vez mais

-Como a vida, senhora Ana? Apontando para as flores, perguntámos!
-Exacto, como a vida.

-Um mal sem remédio, senhora Aslan?
-Sem remédio? O remédio é o Gerovital.

Muito bem o "comercial", senhora Ana, mas, no fundo também é uma boa filosofia. Porque a morte, á parte de que é um problema inevitavelmente real, tambem é um problema psiquico, uma ideia pela qual não devemos sentir terror. As pessoas de idade que passam pela clinica da Aslan em Bucareste, não crêem que vão morrer.

O doutor Jacques Mousseau foi á Roménia para ver o que se passava na Clinica.

No dia da entrevista, a professora Aslan entrou acompanhada de um homem com uma barba branca e larga. Mosseau conta que a professora Aslan avançou para este idoso; este dobrou-se e beijou-lhe a mão, muito gentil.

-Quantos anos crê você que tem este homem? Perguntou a professora Aslan a Mosseau.

-Oitenta anos, talvez, oitenta e cinco.

Ana Aslan sorriu. E o idoso sorriu, por sua vez adiantou…

-Tenho trinta anos mais, doutor Mousseau.

É Paresh Margossian, e efectivamente tem hoje 116 anos de idade. "È o nosso patriárca, contou a Professora Aslan, e tem uma linda história, que a poderia contar ele mesmo porque disfruta duma boa memória. Ele foi estivador, e fala vários idiomas e dialectos Europeus.

Está aqui á alguns anos, mais de dez, quando veio, disse a Professora Aslan, estava acabado. Não gostava de sair do seu quarto e pesava 45 quilos".

-Agora peso 70 quilos, diz o idoso, Margossian explica que todos os dias vai dar um passeio pela cidade.

Mas, a cientista Romena disse uma coisa muito esquisita enquanto o doutor Mousseau observáva o homem:" Mais importante do que o aspecto fisíco, este idoso pensa na vida, não na morte. Portanto eu diria que este homem de 116 anos tem uma velhice normal".

-Tudo se reduz então em não pensar na morte, senhora Aslan?

-A explicação não se pode dar em poucas palavras. Mas existe uma verdade: Ninguém morre de morte natural.

O maior inimigo do homem é a doença, que pode começar em qualquer momento sem dar sinal.

-O que é que começa por morrer primeiro?

-Orgânicamente tudo. Depois dos vinte anos tudo vai declinando. A morte pode começar pelos olhos, logo a seguir pelo coração.

-Então a morte é o maior inimigo do homem?

-Não, continuo a dizer que é a "doença". A origem da morte tem que se ver na Biologia, não no calendário.

Mousseau tem escrito durante muito tempo que a célula igual á molécula, pareceu ser o rádio supremo do infinito pequeno. Logo este sabedor pressentiu que devia buscar dentro dos córpusculos infinitos os segredos e as explicações que negavam no exterior. A célula tem uma vida íntima que condiciona as outras vidas. O Bíologo moderno tem-se baseado nestes micrócosmos. A célula chamou a atenção aos Gerontologos. Já Vernoff pensou em provocar ás celulas sexuais mais jovens. Paul Diehans estimula os órgãos lesionados mediante o enxerto de células saudáveis provenientes do órgão correspondente a um feto animal. A professora Aslan actua directamente com uma substância inorgânica particularmente atractiva para os fenónemos orgânicos. Isso se chama Gerovital e permite compreender que pode reparar os estragos devido ao envelhecimento onde se põe de manifesto.

-Estimula uma função ou um órgão?

-Não, diria Ana Aslan- estimula a célula, elementos do órgão que rege a função. O medicamento que se infiltra até ao centro da vida tem por base a Procaina.

Ana Aslan graduou-se como médica e especializou-se em Cardiologia. Mas o organismo em geral sempre a fascinou demasiado e fez com que depois da especialização passou a Medicina geral. Na clínica que dirige, fazia experiências com a Procaina, para o tratamento do reumatismo.

Obteve uma dose que aliviava a dôr, mas mais ainda notou certas particularidades.

Quando o tratamento se administrava em idosos, estes mudavam até de temperamento. A pele, cujas células morrem para provocar o terror do homen: as rugas, nos idosos estas começam a regenerar-se.

-Foi então um produto da casualidade do seu descobrimento, senhora Aslan?

-Em parte sim, em parte não. O processo é cientifico, e o que aconteceu foi que não me apercebi do que estava ocorrendo. Então dediquei-me com todas as minhas energias á investigação dos efeitos da Procaina.

A Novocaína faz desaparecer as dores, o Gerovital que faz?

O mesmo Professor Mosseau explica que aquela é uma solução de cloridrato de Procaina a 2 por cento de potencialidade, combinado e estabilizado mediante o procedimento especial da Professora Aslan. " O produto contêm , ademais, Ácido Benzoico e microelementos tais como metais alcalinos e enxofre, se bem que os constituintes do medicamento foram tornados públicos, o método de fabricação segue sendo um segredo".

Porquê o segredo, senhora Aslan?

Na sua suite do Hotel Crillón, a científica Romena desde que chegou á capital, tem sido admirada pelos homens, mas mais ainda pelas mulheres, sorri com um leve gesto facial e com uns olhos que vêem por detrás dumas lentes, que por sí se vêem modestos. A dama do dia não quer de maneira alguma revelar o seu " Segredo da Vida", e prefere falar dos seus imitadores, da imensa quantidade de produtos que dado ao seu descobrimento têem saído no mercado.

Ana Aslan tinha declarado que ela, e os que a acompanham nas suas investigações estão na capacidade de afirmar que o envelhecimento é essencialmente uma perturbação do metabolismo celular, as células se empobrecem por falta de assimilação e se asfixiam por falta de eliminação." A velhice é um desiquilibrio das funções".

A velhice necessita um protesto. Porque qualquer órgão que falhe, a partir duma certa idade, em muitos casos é o primeiro passo para a morte. Falando em termos maritimos, podemos dizer que somos um barco, por qualquer ranhura, ou qualquer pretexto começamos a "meter água"…

"As Nossas vidas,
São rios,
Que ao mar,
Vão Parar…"

Os Cientistas afirmam que todas as células do corpo humano, absolutamente todas, se renovam, mas as células nervosas que se podem considerar as mais importantes, não se renovam. Não se sabe ao certo porquê, mas é a realidade, é algo irreversivel.

-Então o Stress, senhora Aslan?

-Exacto o Stress é o maior inimigo do homem moderno.

Os animais chateiam-se, têem os seus altos e baixos, querem-se expressar de alguma maneira, dão coices, mordem, choram, ladram, atiram-se para o chão, etc…

Os homens vão á rua carregados de adrenalina, querem pôr uma bomba no banco porque o gerente do banco negou o empréstimo, querem bater ao taxista por não parar na passadeira, a sua mulher, os seus filhos, o seu marido, o amante, o barulho dos aviões, o homem, coitado do homem, não sabe como expressar-se, como libertar-se, como lutar contra a morte, como lutar o stress para salvar-se da morte.

Isso é o que mata. Nesta sociedade cheia de prejudiciais condicionamentos, é impossivel que o homem possa desafogar humanamente como deveria ser. Nós morremos por dentro, morremos por dia, e a todo o momento.

Entrevista feita em Espanha, 1986

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